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Homilia na Instituição dos Ministérios; Leitor e Acolitado

          “O espirito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres.”

Hoje marcamos uma nova historia na vida dos nossos  irmãos; Arlindo, Charles, Claudino, Constantino, Higinio, Igildo, Jose Bian, Jose Soares, Juliao, Mouzinho, Vítor e Zacarias que iniciam mais uma nova etapa como leitores e acólitos na sua formação e caminhada em direção ao sacerdócio.

Ser leitor não é simplesmente para anunciar a palavra do Nosso Senhor. Como ser  acólito não é so para servir na mesa do Senhor. Mas hoje são instituidos numa missão especifica, e ao mesmo tempo dar início a uma vocação. Toda a vossa missão se resume nestas duas expressões:

  1. “Recebe o livro da Sagrada Escritura e anuncia fielmente a palavra de Deus para que ela seja cada vez mais viva no coração dos homens.”(para os leitores)
  2. “Recebe este vaso como o Pão e o vinho) para a celebração da eucaristia, e vive de tal modo que possa servir dignamente a mesa do Senhor e da Igreja.”(Para os acólitos)

As leituras que hoje escutamos, ajudam-nos a aprofundar a nossa reflexão. A profecia de Isaías confirmou a efetividade da palavra de Deus ao Seu povo e São Mateus sublinhou as qualidades fundamentais dos discipulos; Ser o sal da terra e a Luz do mundo!

           O Profeta Isaías dirigiu estas palavras ao povo escolhido de Deus; os que apenas regressaram da Babilónia, foram desterrados; agora encontram-se numa situação económica, política e social instável. Vivem numa situação de incerteza e desesperada.

A palavra esperança e a palavra alegria recordam a aliança dos seus antepassados com Jahweh, Deus de Israel. Comparando como a chuva e a neve descem do ceu, não voltem mais para lá, sem antes “empapar” a  terra…são convidados depositar a esperança e a alegria em Deus.

A base da alegria só se encontra na capacidade para acolher e receber a palavra de Deus. É um apelo à perseverança e a fidelidade na palavra do Senhor.  Do mesmo modo, hoje, o profeta dirige estas palavras aos nossos leitores para descobrirem as riquezas e a profundidade deste ministério a eles instituidos.

Recebe o livro da sagrada Escritura, anuncia fielmente a palavra de Deus para que ela seja cada vez mais viva no coracão dos homens. Receber, anunciar e viver!

O texto que o Evangelista Mateus nos é proposto reúne duas parábolas – a do sal e a da luz – destinadas a pôr em relevo o papel do novo Povo de Deus no mundo e a definir a missão daqueles que aceitam viver no espírito das bem-aventuranças. Depois de apresentar a nova Lei (“bem-aventuranças”), Jesus define a missão do novo Povo de Deus.

          A primeira comparação é a do sal (vers. 13). O sal é, em primeiro lugar, o elemento que se mistura na comida e que dá sabor aos alimentos (cf. Jb 6,6). Também é um elemento que assegura a conservação dos alimentos e a sua incorruptibilidade. Simboliza, nesta linha, aquilo que é inalterável… No Antigo Testamento, o sal é usado para significar o valor durável de um contrato; nesse contexto, falar de uma “aliança de sal” (Nm 18,19) é falar de um compromisso permanente, perene (cf. 2 Cr 13,5).

Dizer que os discípulos são “o sal” significa, que os discípulos são chamados a trazer ao mundo essa “qualquer coisa mais” que o mundo não tem e que dá sabor à vida dos homens; significa também que da fidelidade dos discípulos ao programa enunciado por Jesus (as “bem-aventuranças”) depende a perenidade da aliança entre Deus e os homens e a permanência do projeto salvador e libertador de Deus no mundo e na história. A referência à perda do sabor (“se o sal perder o sabor… já não serve para nada”) destina-se a alertar os discípulos para a necessidade de um compromisso efetivo com o testemunho do “Reino”: se os discípulos de Jesus recusarem ser sal e se demitirem das suas responsabilidades, o mundo guiar-se-á por critérios de egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais distante da realidade do “Reino” que Jesus veio propor. Nesse caso, a vida dos discípulos terá sido inútil.

           A segunda comparação é a da luz (vers. 14-16). Para a explicar, Jesus utiliza duas imagens.
A primeira imagem (a da cidade situada sobre um monte) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos. A interpretação judaica de Is 60,3 aplicava a frase a Israel: o Povo de Deus devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Jahwéh diante de todos os povos da terra. A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro, a fim de alumiar todos os que estão em casa) repete e explicita a mensagem da primeira: os que aderem ao “Reino” devem ser uma luz que ilumina e desafia o mundo. É possível que haja ainda nestas imagens uma referência ao “Servo de Jahwéh” de Is 42,6 e 49,6, apresentado como a “luz das nações”.
De qualquer forma, a verdade é que, na perspetiva de Jesus, essa presença da “luz” de Deus para alumiar as nações dar-se-á, doravante, nos discípulos, isto é, naqueles que aceitaram o apelo do “Reino” e aderiram à nova Lei (as “bem-aventuranças”) proposta por Jesus. Eles são a “nova Jerusalém”, ou o novo “Servo de Jahwéh” de onde a proposta libertadora de Deus irradia e a partir de onde ela transforma e ilumina a vida de todos os homens.

Estas duas imagens não pretendem, contudo, dizer que os discípulos de Jesus devam dar nas vistas, mostrar-se, escolher lugares de visibilidade de onde as massas os admirem e os aplaudam. Mas pretende dizer que a missão das testemunhas do “Reino” deve levá-las a dar testemunho, a questionar o mundo, a ser uma interpelação profética, a ser um reflexo da luz de Deus; e que não devem esconder-se, demitir-se da sua missão, fugir às suas responsabilidades. Essas “boas obras” que os discípulos devem praticar, e que serão um testemunho do “Reino” para os homens, são, provavelmente, aquelas que Mateus apresenta na segunda parte das “bem-aventuranças” (cf. Mt 5,7-11): a “misericórdia” (um coração capaz de compadecer-se, de amar, de perdoar, de se comover, de se deixar tocar pelos sofrimentos e angústias dos irmãos), a “pureza de coração” (a honestidade, a lealdade, a verdade, a verticalidade), a defesa
intransigente da paz (a recusa da violência e da lei do mais forte a luta pela reconciliação) e da justiça. É desse labor dos discípulos que nascerá o mundo novo, o mundo do “Reino”.

A missão dos discípulos é, portanto, a de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Eles são as testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência das “bem-aventuranças”. Neles têm de estar presente essa realidade nova, que Jesus chamava “Reino”.

 

          Voltamos a reflectir sobre a importancia  de celebração de hoje.

          O Leitor: o papel do leitor é ler a palavra de Deus na Assembleia liturgica; proclamar as leituras da sagrada escritura excepto o evanvelho durante a missa e outras celebrações sagradas, recitar o salmo se não estiver o salmista, apresentar as preces na ausencia do diácono, etc. Para exercer o cargo com mais eficácia, precisa meditar assiduomente sagrada escritura. Procurar continuamente ler, meditar, contemplar e viver a Palavra de Deus.

          O Acólito: o papel do acolito é ajudar o diácono ou o presbítero no serviço do altar e assistir o diácono e o presbítero durante as celebrações liturgicas, especialmente celebração eucarística, etc.

Considerando a importância do serviço, o acólito deve participar na eucaristia santa com mais fervor e devoção. Porque, o centro da formação espiritual é união pessoal com Cristo, que nasce e alimenta-se através da oração, da escuta da palavra, participação assídua nos sacramentos e na liturgia.

Quero sublinhar mais um pouco sobre a SAGRADA ESCRITURA E EUCARISTIA,  “Deve recordar-se que “ignorar as escrituras é ignorar Cristo”, no processo de amadurecimento espiritual, um lugar eminente está reservado á relacão com a palavra de Deus, que antes de se tornar pregação deve ser acolhida profundamente no coração.”(     RF 1030). Em virtude da necessária conformação a Cristo,”os candidatos a ordenação devem, antes de mais, ser formados a uma fé muita viva na Eucaristia.”(RF 103).

 

Concluo com esta istoria:

Era uma vez um jovem que foi participar num retiro. Entrou indiferente, à procura de algo, e eis que se encontrou com Cristo Ressuscitado.

Passados esses três dias de oração e de reflexão, saiu entusiasmado, com o desejo de se encontrar com cristãos ver- dadeiros. Era com eles que estava disposto a formar uma comunidade de fé viva.

Encontrou-se, em primeiro lugar, com um idoso sentado à beira do caminho e perguntou-lhe:

— O senhor viu passar por aqui algum cristão?
O idoso, encolhendo os ombros, respondeu:
— Depende do tipo de cristão que andes a procurar.
 O jovem respondeu:
— Desculpe, mas eu sou novo nestas questões de fé e desconheço os tipos de cristãos que existem. Apenas conheço a Jesus, que ressuscitou e está vivo para sempre.

O idoso acrescentou:

— Então vou dizer-te que há cristãos para todos os gos- tos. Há cristãos simplesmente porque foram baptizados, há cristãos por tradição herdada dos seus antepassados, há cris- tãos que se limitam a cumprir com o dever de ir à missa ao domingo, há cristãos que vão à igreja no Natal e em alguma festa, há cristãos de sacristia que cá fora são iguais aos outros, há cristãos autênticos…

O jovem, emocionado, interrompeu:

— Os autênticos! São esses que eu procuro. Os verda- deiros.

O idoso, com voz grave, disse:

— Esses, os cristãos verdadeiros, são cada vez mais difí- ceis de encontrar. Há muito tempo que passou um desses por aqui e me fez a mesma pergunta.

O jovem perguntou-lhe:
— Pode dizer-me como o poderei reconhecer?
O idoso, tranquilamente, explicou:
— Não te preocupes, amigo. Não terás dificuldade em reconhecer um cristão autêntico. Um cristão verdadeiro não passa despercebido neste mundo, porque será reconhecido pelas suas obras. Os cristãos verdadeiros, por onde passam, deixam rastos de luz, irradiam o suave odor de Cristo, comu- nicam alegria de viver.

Seja louvado do Nosso Senhor Jesus Cristo!

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