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Comunicado

Hanesan tinan-tinan esmola sira iha sexta feira Santa sei destinado hotu ba Terra Santa hodi tulun Igreja sira iha neba.

 

 

Perfeito Congregação para

os Igreja Orientais

Leonardo Card. Sandri

 

 

Carta de Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais

14 de Fevereiro de 2018
Quarta-feira de Cinzas

 

Excelência Reverendíssima

O itinerário quaresmal que estamos a viver convida-nos a subir a Jerusalém pela estrada da cruz onde o Filho de Deus consumará a sua missão redentora. Nesta peregrinação somos acompanhados pelo Espírito Santo que nos desvenda o sentido da Palavra de Deus. Além dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Penitência, somos vivificados pelo jejum, a oração e a esmola. É este, pois, um tempo propício para nos avizinharmos de Cristo reconhecendo a nossa pobreza e os nossos pecados e viver a humilhação e aniquilamento do Filho de Deus “que era rico, mas fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer com a sua pobreza” (2 Cor 8,9).

É, também, um tempo por excelência para nos tornarmos mais próximos dos outros através das obras de caridade, considerando que o caminho quaresmal não é um acto solitário, mas sim um itinerário de solidariedade no qual cada um é chamado a abeirar-se, como o fez o Bom Samaritano, colocando-se ao lado dos irmãos que têm dificuldades em levantar-se e a retomar a estrada por múltiplas razões.

Mais uma vez, este ano, a tradicional “Collecta pro Terra Sancta” de Sexta-feira Santa, será para os fiéis uma ocasião propícia para se unirem aos nossos irmãos da Terra Santa e do Médio Oriente. Infelizmente, desta zona, o grito de milhares de pessoas, que se encontram privadas de tudo, até ao limite da própria dignidade de homens, continua a sentir-se, ferindo os nossos corações e convidando-nos a abraçá-los na caridade cristã, fonte segura de esperança.

Sem o espírito de Cristo que aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de cruz” (Filip 2,7-8), o grito do irmão permanece inaudível e os rostos de milhares de pessoas desfavorecidas ficam na indiferença.

Qual poderia ser o modo melhor para meditar nesta Kenosis do Filho de Deus senão os próprios lugares que conservam, depois de mais de 2000 anos, a memória da nossa redenção? Indico, com particular atenção, as duas Basílicas: a da Natividade, em Belém, construída sobre a gruta onde nasceu Jesus; e a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, construída sobre o túmulo de Jesus, que se tornou o gérmen da vida com a Sua Ressurreição. Ambas, graças à colaboração e generosidade de tantíssimas pessoas de boa vontade, foram restauradas no ano passado. Edificar a Igreja da Terra Santa, nos seus edifícios e nas suas pedras vivas, que são os fiéis cristãos, é responsabilidade de toda a Igreja Cristã particular, conscientes de que a fé cristã teve como seu primeiro centro propulsor a Igreja Mãe de Jerusalém.

A comunidade católica da Terra Santa, nos seus diversos rostos, como seja o da Igreja latina da Diocese Patriarcal de Jerusalém, o da Custódia Franciscana e de outras Circunscrições, como o da Igreja dos orientais B greco-melequita, copta, maronita, síria, caldeia, armena B com as famílias religiosas e os organismos de todo o género, têm a vocação especial de viver a fé naquele contexto multirreligioso, político, social e cultural. Apesar dos desafios e inseguranças, as paróquias continuam o fazer o seu trabalho pastoral dando atenção preferencial aos pobres. As escolas são lugares de formação e encontro entre cristãos e muçulmanos, esperando, contra toda a esperança, um futuro de respeito e de colaboração. Os hospitais e os ambulatórios, os hospícios e os centros de encontro continuam a acolher doentes e necessitados, deslocados e refugiados, pessoas de todas as idades e religiões que foram atingidas com o horror da guerra.

Não podemos esquecer milhares de famílias, entre as quais crianças e jovens, que escapam da guerra na Síria e no Iraque, muitos dos quais em idade escolar, que apelam à nossa generosidade para retomar a vida escolástica e assim poderem sonhar com um futuro melhor.

Uma lembrança particular vai para a pequena comunidade cristã do Médio Oriente que continua a manter a fé entre os refugiados no Iraque e na Síria, ou na Jordânia e no Líbano assistida pelos seus pastores, religiosos e voluntários de vários países. Os rostos destas pessoas interrogam-nos sobre o sentido do ser cristão, as suas vidas em extrema dificuldade inspiram-nos. O Santo Padre Francisco na sua mensagem para a celebração da jornada mundial da paz deste ano afirma: “Com espírito de misericórdia, abracemos todos aqueles que fogem da guerra e da fome e que são obrigados a deixar as suas terras por causa das discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”. Somos chamados a mostrar-lhes a nossa proximidade, concretizada através da nossa oração constante e mediante a ajuda económica, em particular depois da libertação da Planície de Nínive. Muitos cristãos iraquianos e sírios desejam retornar à sua própria terra onde as suas casas foram destruídas, onde escolas, hospitais e igrejas foram devastadas. Não os deixemos sós!

Todos somos convidados a retomar as peregrinações à Terra Santa, porque o conhecimento e a experiência vivida nos lugares da nossa redenção seguindo as pegadas de Jesus, Maria, José e os seus discípulos, ajudam a aprofundar a nossa fé e, também, a compreender o contexto em que vivem os cristãos da Terra Santa. As peregrinações constituem, entre outras, uma ajuda preciosa para a sobrevivência de milhares de famílias.

Nestes dias de preparação para a Páscoa, convido-vos fraternalmente a empenhar-vos em vencer o ódio com o amor, a tristeza com a alegria, rezando e trabalhando, para que a paz habite no coração de cada pessoa, especialmente no dos nossos irmãos da Terra Santa e do Médio Oriente.

A Vossa Reverência Senhor Bispo, aos Sacerdotes, aos Consagrados e aos Fiéis que se empenham para que esta Colecta seja bem conseguida, tenho a alegria de transmitir o vivo reconhecimento do Santo Padre Francisco, juntamente com a gratidão da Congregação para as Igrejas Orientais. Invocando sobre a sua pessoa e ministério pastoral, e sobre todos os fiéis da sua jurisdição, copiosas bênçãos divinas e a mais fraterna saudação no Senhor Jesus, desejo os melhores votos de uma feliz e Boa Páscoa.

 

Leonardo Card. Sandri
Prefeito

+ Cyril Vasil’, S.I.
Arcebispo Secretario

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