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QUARESMA : CAMINHO DE CONVERSÃO

Caros irmão em Cristo, com a quarta-feira de cinzas, pouco antes, entramos na Quaresma, o tempo por excelência do Ano Litúrgico, em que todo cristão é chamado à conversão, para regressar a Deus, através de uma escuta mais assídua de Sua Palavra, de oração mais intensa e prolongada, do jejum e das obras de misericórdia. O tempo da Quaresma é um momento em que somos convidados a enfrentar o nosso deserto de um lado e as tentações do outro. Durante a Quaresma, comcerteza vamos ao deserto com Cristo e procuramos enfrentar as tentações com ele. No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas palavras, a concretizar no mundo – com fidelidade – os seus planos.

 

A primeira leitura afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho e de prepotência como Adão tinha feito nós construímos caminhos de sofrimento e de morte. A segunda leitura propõe-nos dois exemplos: Adão e Nosso Senhor Jesus Cristo. Adão representa o homem que escolhe ignorar a vontade de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência a vontade de Deus e que vive na obediência a vontade do Pai. A Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; E Jesus gera vida plena e definitiva. O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou – de forma absoluta – uma vida vivida à margem de Deus e dos seus planos. A Palavra de Deus garante que, na perspectiva cristã, uma vida que ignora a vontade do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido; e que toda a tentação de ignorar Deus e seus planos é uma tentação diabólica e que o cristão deve, firmemente, rejeitar.

 

Este primeiro domingo de Quaresma relatada as famosas tentações de Cristo. A primeira tentação expõe o homem de nosso tempo a absolutizar tanto o “pão” material que negligencia e até esquece os valores espirituais que lhe dão vida real além da morte. É o que Jesus responde ao tentador: “O homem não viverá somente de pão”. Em suma, é uma questão de aceitar a precariedade de nossa existência terrena como condição humana básica para acolher um “Outro”, de quem aprendemos todos os dias a estar cada vez mais faminto. É a tentação – sempre em emboscada – trancar tudo dentro dos limites da matéria, excluindo Deus e tornando-o irrelevante. – A segunda tentação é prostrar-se aos ídolos, aos substitutos de Deus: poder, sucesso, posseso, dineiros, etc, com a estipulação de um contrato de sujeição a eles. para aqueles que querem segui-lo é um abandono total e filial ao Deus Único, porque onde Deus não está mais lá, os ídolos entram em seu lugar. – A terceira tentação é o abuso do “Nome de Deus”. Hoje, é uma tentação muito atual, mesmo em certos setores cristãos, ou seja, nunca usar o Santo Nome de Deus em proveito próprio e para fins ocultos: em nome de Deus, quantos crimes foram cometidos ao longo da história humana!

 

Caros irmãos em Cristo, neste tempo da quaresma, somos forçados a encarar nossa nudez, onde sentimos que não somos suficientes para nós mesmos e somos forçados a encarar nossa realidade mais íntima. Crescemos na consciência de que somos criaturas de Deus e de que devemos nosso ser a Ele, porque sem ele não se afunda em nada. E assim através das práticas de quaresma; Jejum, abstinência, oração, esmola, sacrifícios e obras de misericórdiaregressamos a Deus, vivemos em união com Deus para a nossa felicidade.

 

No jejum e com o jejum, não procuramos mais nada de nós mesmos, mas tudo de Deus.Então, entendemos que a Quaresma quer tornar nosso corpo, nossa alma e toda a criatura à vida divina que explodirá na Páscoa; Na ação de esmola, porque, embora restaure a justiça entre os homens, nos ajuda a entender que tudo pertence a Deus e nos liberta do peso de uma dependência aosnossos bens. O jejum e a esmola nos levam de volta à dimensão da pobreza e, quando somos pobres, nossa alma é predisposta à oração de maneira autêntica. Uma oração, que de fato, não é para lembrar Deus de nossas necessidades mas sim para estar com Deus. Em Deus somos salvos.

 

Caros irmãos, de onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas eternas, que o homem de todos os tempos coloca a si próprio. A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde: é Deus a nossa origem e o nosso destino último. Não somos um minúsculo e insignificante grão de areia perdido numa galáxia qualquer; mas somos seres que Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu próprio “sopro”, a quem animou com a sua própria vida. Portanto, o fim último da nossa existência não é o fracasso, a dissolução no nada, mas a vida definitiva, a felicidade sem fim, a comunhão plena com Deus.

Motael, I Domingo Quaresma, Ano A-2020

Pb.

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