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“CORRUPÇÃO” “CULTIVAR” NÃO, “COMBATER” SIM

A Corrupção no Contexto Global

            Não cultivar corrupção é novo paradigma para humanizar a vida. Não cultivar corrupção é um marco para construir um mundo mais digno, justo e feliz, a partir da confiança e da responsabilidade. 

            Não é facil porque temos medo de perder bem-estar, parece-nos impossível viver sem acumular, vemos em perigo nossa segurança. Não entra no nosso hrizonte renunciar a um sistema de vida definido pela produção sem limites e à busca sem fim de nosso próprio bem-estar.

            Somos nós, seres humanos, que temos que mudar a trajetória da história. A ciência não tem consciência; a economia carece de compaixão; os dogmas do capitalismo neoliberal são desumanos (PAGOLA, 2013, p. 27)

            Dizia Jesus, “guardai-vos da cobiça, porque, mesmo que alguem viva na abundânçia, sua vida não está assegurada pelos bens que tem” (Lc 12, 15).   Aí está o perigo mortal: o desejo insaciável de bem-estar tende a submeter tudo a seu controle.  

            Sim, o combate à corrupção produz uma ajuda prática e solidária aos que sofrem. Aos famintos, os indefesos, os desvalidos, os esquecidos, etc.

            Sim, para combater a corrupção é necessário que toda autoridade, desenvolva uma conciência  ética mínima e que toda a política mundial busque o bem comum da comunidade humana e oriente o nosso mundo globalizado para um futuro mais humano.  

            Toda ética deve levar em conta, o combate à corrupção se não quiser converter-se em uma “ética de tolerância com o pecado mortal da corrupção. Toda religião deve ter o compromisso com o combate a esse mal dos tempos atuais; deve reconhecer que sua prática é inaceitavel se não quiser ser negação do mais sagrado. Toda a política deve tomá-la em conta se não quiser ser cúmplice de crimes contra a humanidade. (PAGOLA, 2013, p.51)

            A corrupção, embora seja uma prática humana largamente difundiada não encontra justificativa nem no campo filosófico, nem naquele politico, tampouco nos campos da ética e da religião: é impossível ser ou estar corrupto, posto que corrupção não é essência nem estado vida. A prática da corrupção precisa ser  colocada como um tema central do debate político para que seja vista como parte integrante da ação política comprometida como o bem da população.   

            A história da humanidade encontra-se atualmente sob o império de um sistema  econômico-financeiro movido, basicamente pelo capitalismo neoliberal que se alimenta de processo de corrupção a fim de que o lucro seja a unica ética possivel. A ética do lucro, alimentada pala corrupçao é a ética que justifica a exploração do mais pobres e necessitado. Em nome do lucro o sistema capitalista impõe sua ditadura de exploração praticamente em todo mundo, condicionando decisivamente o futuro da comunidade humana.

            Alimentado pelo desejo insaciável da riqueza, este sistema perverteu a economia, pois o que ela busca não é a produção dos bens e serviços necessários à comunidade humana, mas a acomulação de riqueza em mãos das minorias mais poderosas da terra. Este sistema Segundo PAGOLA (2013, p.10), tem sua própria lógica: Afasta a economia do bem comum da sociedade; Não suporta nenhum controle ou regulação que trata de limitar sua voracidade; Promove a competitividade implacável, anulando as possibilidades de uma cooperação cada vez mais necessária e torna impossível lançar as bases políticas e éticas de qualquer projeto de governansa mundial.  

            Esta realidade econômica, alimentada pela vontade do lucro se sustenta sob sistema corruptores e se insere no seio de outras crises mais graves, geradas, em boa parte, pelo próprio sistema. Dois terços da humanidade se afunda na miséria, na destruição e na fome em países cada vez mais excluidos do poder econômico, científico e tecnológico. Por outro lado, o sistema de produção e consumo ilimitado não é sustentável numa terra pequena e de recursos limitados: a crescente degradação do equilíbrio ecológico está nos conduzindo para um futuro cada vez mais incerto da bioesfera e do destino do ser humano.

            Por isso a atual crise não somente uma crise econômico-financeira. É uma crise do homem egoista que coloca seu próprio interesse acima dos interesses comuns. O sistema conduz uma minoria de poderosos a um bem-estar insensante e desumanizador, e destruindo a vida de imensas maiorias de seres humanos indefesos.

            É preciso dizer não à cultura da corrupção e sim ao seu combate. É preciso que todos assumam a tarefa de desenvolver uma razão voltada para o bem comum da comunidade numa terra que é de todos e não somente dos que tem poder.

            Os poderosos que hoje dominam o mundo, resolvem sempre suas necessidades e suas ganancias, surdos ao clamor dos famintos e cegos diante da devastação crescene do planeta. Tudo se sacrifica ao ídolo do Dinheiro. O historiador Eric Hobsbawn assim diz: “Não sabemos para onde vamos, mas tão somente que a história nos levou até esse ponto”.

 

A Corrupção no Contexto de Timor-Leste

            A população timorense, conforme dados da Estatística Nacional de 2017, é de 1.32 milhões de pessoas. Economicamente, o povo ainda vive em estado de pobreza e desemprego. O país possui Médio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 0,52% conforme dados divulgados em 2010 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A maioria dos habitantes vive abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de 1,25 dólares por dia, o índice de analfabetismo é de 50%, e a taxa de mortalidade infantil é de 63 óbitos a cada mil nascidos vivos.

            O gasto do orçamento Geral do Estado de 2016, é de 1, 39 milhões. Quer dizer cada ano, o governo aprovou esse total de gasto. A implementação de cada ministério sempre termina com o relatório ao governo de 100% implementado. A pergunta é que, sera o relatório coerente com o resultado no campo da implementação? Se não existe essa pergunta e sua sua resposta, podemos dizer que alí escondeu-se a manipulação e, portanto, a corrupção. Aqui exige a confiança e a responsabilidade dos implementadores sobre toda a riqueza do povo. Na avaliação final de um projeto não está só no relatório por escrito, mas, o mais importante é o resultado do projeto.

             Outra questão é que, se comparamos o total da população e o gasto de cada ano, não existe uma lógica de seriedade no dosenvolvimento deste nosso novo país. Precisamos ser humildes para aprender através das experiências dos governantes passados como: o Governador Mário Carascalao e Abilio de Araújo. Eles conseguiram desenvolver Timor-Leste com orçamento menos de 20% do nosso total gasto por ano.  

            Uma corrupção que quase o povo inocente não obsera no Timor-Leste atual é que existe muitos carros do estado. O gasto de conbustivel e a manutenção de todos os carros do estado não é barato.

Estamos praticando a injustiça entre o povo e os governantes. O povo vende os produtos locais para ganhar no máximo $1,25 por dia. Os trabalhadores das lojas de chineses, trabalham o dia inteiro para ganhar máximo $ 2,50. Eles pagam a viagem de microlete, taxi, motorizada e ónibus com os seus mínimos rendimentos. Onde está a justiça? Os governantes e os funcionarios ganham salários mais altos e ainda são beneficiados com o número desproporcional de carros do estado, bem como com o combustivel e manutenção gratuita.

 

 Um grito do povo timorense no tempo atual

            O grito do povo timorense de hoje voltará como um grito no tempo da colonialização portuguesa e na invasão da Indonésia. Não é um grito de “abaixo do imperalismo” e “fora os invasores” mas, um grito de “abaixo da corrupção”. Este grito não poderá ser calado.

 

Por:

Pe. José Maia

2017 Mestrado iha área Bioética husi Pontifícia Universidade Católica Paraná Brasil

Hahu 2018 Docente Bioética iha Instituto Superior Dom. Jaime Garcia Goulart, Fatumeta, Dili.

Email: pejemaia@gmail.com: Telemóvel: +67077634675.

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