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HEROÍSMO NÃO É NEGÓCIO

Texto produzido por Pe. José Maia.

Docente  Bioética em ISFIT

(Email:pejemaia@gmail.com)

 

               Negócio é um emprendimento lucrativo que beneficia algumas pessoas ou grupos específicos. Heroismo é outra coisa. Quero sustentar neste texto que heroismo não é negócio.          

               Herói é uma figura arquétipa, personagem modelo, que reúne, em si, atributos necessários para superar, de forma excepcional, um determinado problema. O heroísmo que resulta em autossacrifício chama-se martírio. Três pontos são necessários para o heroísmo: o ideal, o sofrimento e a sublimidade. O ideal não é qualquer ideia, mas é uma ideia movida pelo amor e pela doação: “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria  vontade” (Jo10.18);  o sofrimento é o que toda a pessoa passa neste “vale de lágrimas”, e que terá de superar, sem lamúrias de estar passando por tribulações, sem de pena  de si mesmo, tudo suportando com olhar fixo no fim último (ideal) com a esperança da vitória, suportando tudo o que der e vier, para uma finalidade, e a sublimidade é voltada para o além, elevado para o alto.

               Para podermos entender, e ter o cenceito certo do que é um herói de verdade, é muito simples, basta saber as características do verdadeiro heroísmo: é o atitude pela qual o homem enfrenta qualquer infortúnio ou um enorme sofrimento. Quando se diz que alguem é um herói, reluz com uma “luminosidade” especial, algo que sai da boca e toca o fundo da alma. O que é um herói? Herói é aquele que colocado diante de um alto dever, o cumpre até o fim! As palavras herói e heroísmo possui uma grandeza sagrada.

               Segundo GUEDES, Gustavo (2013, p.5), citado Corrêa de Oliveira Plínio de 1967, não há coisa mais adequada para conferir nobreza à alma do que o sofrimento; e não pode haver nobreza para a alma sem sofrimentos. Citou também MONTFORT (1989), “sem a cruz a alma se torna vagarosa, mole, covarde e sem coração. A cruz a torna fervorosa e cheia de vigor. Quando nada sofremos, na ignorância permanecemos. Temos inteligência quando bem sofremos”.

               Um heroi é uma pessoa que, diante de uma situação dificil, consegue agir como ninguém mais conseguiria. Há muitos exemplos de herois que são conhecidos de todos nós, sejam de livros, ou revistas que lemos, ou de filmes e até pessoas reais que conseguem agir de maneira corajosa em determinadas situações de risco.

               Heroísmo é combater o egoísmo. O problema é que alguns heróis não buscam de fato resolver o problema dos outros.  A motivação deles pode ser duvidosa; eles podem fazer seus atos heroícos por motivos egoistas, por quererem fama, ou para resolverem sua própria situação. Mesmo que tenham motivos que não são egoistas, muitos deles de fato não resolvem a situação de verdade.

               Jesus é um pouco diferente do que esses herois. Ele é, na verdade, o nosso único verdadeiro herói. Jesus diz: “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria  vontade” (Jo10.18). Jesus não precisava ter dado sua vida pelo ser humano, mas fez isso única e exclusivamente por amor. E ao fazer isso ele resolveu o problema do ser humano.

 

No Contexto de Timor-Leste

               Quem foi, é e será herói do nosso país de Timor-Leste? Esta perguanta parece-me uma pergunta provocativa e desafiadora para cada um de nós analizar, refletir e meditar.

               Estamos numa crise de paradigma para determinar a nossa vocação e a vocação do nosso país. O caminho mais fácil para encontramos a saída é através da metodologia de ver, julgar e agir.

               O verbo ver, nos ajuda a descobrir a nossa sociedade. Duas realidades mais importantes que precisamos saber são os sinais de vida e de morte do povo timorense. O que leva o povo timorense à morte são: as violências, drogas, tráfico de pessoas, corrupções, ignorâncias, abortos, suicídois e outros. O que leva o povo timorense à vida são: as crianças felizes, familias saudáveis, comunidade harmónica, comida suficiente, trabalho digno, etc.

               O verbo julgar, nos ajuda a entender qual é a vocação e a vontade do país de Timor-Leste. A vocação e a vontade do país Timor-Leste é colocar encima de tudo: o sentido coletivo de nacionalismo, unidade nacional, interesse comum e bem estar. Não é o interesse e a vontade de qualquer partido político.

               O verbo agir, nos ajuda a eliminar as causas de morte em todas as áreas. Por um lado, as necessidades básicas do povo: comida, vestuário, morradia e outros. Por outro lado, qualidade da educação, saúde, acesso a estrada, informação, formação especializada, formação integrada, campo de trabalho, etc. Quem vai fazer? O governo através do Estado: a tarefa do Estado é fazer uma boa administração. 

               Dentro desses três verbos, existem outros que provocam e desafiam o nosso horizonte. Esses verbos são: o verbo fugir, administrar e enfrentar. Timor-Leste e seu povo está na escolha dessas opções.

               O verbo fugir, indica quando cada um de nós procura se esconder da responsabilidade; o verbo administar, indica quando cada um de nós só faz os que as outros pessoas dizem, so para ficar bem com todo mundo. Não fazemos o que nós sabemos, mas fazemos o que não sabemos e o verbo enfrentar, indica quando cada um de nós possui firmeza, coragem, vontade, senso crítico e bravura em qualquer das dificuldades que nos desafiam.

               A vocação de cada um de nós como timorense no tempo atual é o chamado ao enfrentamento. Isso mesmo. A nossa busca é o fervor que queima o coração, a fazer da melhor forma possível todos os projetos a nós confiados pelo cidadãos timorenses.

               Alguns disseram que, religião e cultura são os obstáculos para o desenvolvimento.  Eu pessoalmente gostaria de afirmar o contrário: o individualimo, egoísmo, partidarismo, arrogância e outros pecados são os obstáculos para o desenvolvimento. A humildade, autoestima, autoconfiança, disposição, inteligência, honestidade, lealdade, são os caminhos para o desenvolvimento do Timor-Leste.  

               Todos os timorenses que se responsabilizam até ao fim pelos projetos que assumem e que lhes foram confiados pelo povo e pela pátria, são os verdadeiros heróis. Portanto heroísmo defenitivamente não é um negócio. É um valor que engrandece a nossa identidade.

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