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POR ISSO VOS DIGO: O REINO DE DEUS SER VOS-Á TIRADO E SERA CONFIADO A UM POVO QUE PRODUZIRÁ OS SEUS FRUTOS

(21, 33-43).

 

Caros irmãos em Cristo.

A palavra de Deus que acabamos de ouvir nos leva a refletir juntos sobre a imagem da “vinha” aplicada ao Povo de Deus como um símbolo privilegiado para expressar a história de amor que Deus quis escrever com o seu Povo, isto é, a Aliança. Nesta “parábola”, Deus é o “vinhateiro” e Israel é a “vinha”. Foi Deus quem trouxe de longe essas videiras escolhidas, que as plantou numa terra fértil (a terra de Canaan), que removeu dessa terra as pedras que podiam estorvar a fecundidade da “vinha”, que cuidou e, sobretudo, que amou a sua “vinha”. Portanto é uma história de amor. O amor de um Deus que liberta o Povo Israel da escravidão, que o conduz para a liberdade, que estabelece com ele laços de família, que lhe oferece indicações seguras para caminhar em direcção à justiça, à harmonia, à felicidade, que o protege nos caminhos da história. A primeira leitura nos revela claramente que em primeiro lugar é preciso termos consciência de que Deus nos ama infinitamente e que Ele continua derramar sobre nós, todos os dias, o seu amor, a sua bondade, e a sua misericórdia. Por essa razão o nosso encontro com o amor de Deus tem de significar uma efectiva transformação do nosso coração e tem de nos levar ao amor dos nossos próximos através de tolerância, de misericórdia, da bondade, e de compreensão. Estes são os “frutos bons” que Deus espera da sua “vinha”. Deus não tolera uma “vinha” que produza “sangue derramado” e “gritos de horror”. Nestas, semanas o “sangue derramado” das  vítimas da violência, do terrorismo, dos sistemas que geram morte e sofrimento continua a tingir a nossa sociedade, os nossos bairros e as nossas aldeias.

Deus nos convida a dar muitos frutos bons não maus para não enfrentarmos a sua ira porque não fazemos a sua vontade. A vinha que produz só maldade será demolido e destruida pelo próprio Deus. Ele disse “vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva.”

 

Caros irmãos em Cristo, São Paulo na segunda leitura convida nos como povo de Deus a não vivermos inquietos e preocupados mas sim cheios da esperança e alegria para podermos dar frutos bons. Ele nos convida a termos em conta, na nossa vida, esses valores humanos que todos os homens apreciam e amam: a verdade, a justiça, a honradez, a amabilidade, a tolerância, e a integridade. Um cristão tem de ser, antes de mais, uma pessoa íntegra, verdadeira, leal, honesta, responsável, coerente. Muitos de nós naturalmente já experimentamos viver esse modelo de vida só através dos nossos esfoços físicos ou humanos, mas São Paulo nos recorda hoje da importância de um outro element essencial na nossa vida cristã para viver a verdade, a justiça, a honradez, a amabilidade, a tolerância e a integridade, isto è a oraçao.  Ele disse “em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. De facto muitos de nòs queremos aquela vida perfeita mas nao rezamos, nòs a procuramos sò com os nossos esforços, sem contar a intervençao de Deus, e por isso è que nao a alcancemos. Para a alcancar ou viver è perciso tambem viver a nossa vida espiritual, de modo mais pràtico como sugere Sao Paulo è perciso rezar, apresentar pedidos a Deus nas nossas orações, súplicas e acções de graças.  

Caros irmaos, o evangelho relata sobre trabalhadores da “vinha” de Deus que rejeitam o “filho” de forma absoluta e radical. É provável que nenhum de nós, por um acto de vontade consciente, se coloque numa atitude semelhante e rejeite Jesus. No entanto, prescindir dos valores de Jesus e deixar que sejam o egoísmo, o orgulho, a arrogância, a indifrença, o dinheiro, o poder, a fama, a condicionar as nossas opções é, na mesma, rejeitar Jesus, colocá-l’o à margem da nossa existência. Desse modo nòs nos afastamos do Reino de Deus. E o evangelho conscencializa-nos de que Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua “vinha”, temos de produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz, de tolerância, de partilha.

O nosso Deus não está disposto a pactuar com situações dúbias, descaracterizadas, incoerentes, mentirosas; mas exige coerência, verdade e compromisso. Portanto convida-nos, antes de mais, a não nos deixarmos cair em esquemas de facilidade, de “deixa andar”, mas a levarmos a sério o nosso compromisso com Deus e com o Reino e a darmos frutos consequentes no amor, na verdade, justiça, no respeito, na tolerância e no perdao. Amen.

 

Motael, 04 de Outobro de 2020. Pb.

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